O Conselho Municipal de Turismo e Desenvolvimento Económico de Ourém reuniu, pela primeira vez, esta segunda-feira, dia 28 de setembro, no Auditório do Paço dos Condes, na Vila Medieval de Ourém. Criado em 2020 e reunindo representantes de diferentes setores de atividade para uma reflexão conjunta sobre o futuro económico e turístico do concelho, este órgão acabou por não iniciar a sua atividade devido a diferentes contingências que marcaram os últimos anos. Dessa forma, a primeira reunião incluiu a tomada de posse dos membros designados para o atual mandato, formalizando o arranque desta estrutura consultiva municipal.
Na abertura dos trabalhos, a Vereadora Purificação Reis recordou que o conselho nasceu da necessidade de criar um espaço permanente de diálogo e concertação entre o Município e os diferentes agentes económicos e turísticos. Entre as suas atribuições estão o acompanhamento da realidade económica do concelho, a análise das políticas municipais nestas áreas e a apresentação de recomendações e contributos para a definição de estratégias e projetos.
Concluída a tomada de posse, seguiu-se a intervenção do Presidente da Câmara Municipal que destacou a importância deste Conselho enquanto espaço capaz de fornecer novas perspetivas, informação e contributos para as decisões futuras. Na sua intervenção de enquadramento e visão estratégica para o concelho, Luís Miguel Albuquerque, começou por destacar a heterogeneidade geográfica e económica de Ourém como um dos seus maiores trunfos, apontando um território dividido entre uma zona norte mais vocacionada para a indústria e pequenas e médias empresas (PMEs), uma zona sul marcada pelo turismo religioso em Fátima, e um setor florestal com peso relevante na economia local.
Para o líder do executivo, o reforço das áreas empresariais assume particular importância, com investimentos na ampliação e requalificação das zonas industriais de Casal dos Frades, Caxarias, Freixianda e Espite. Em Casal dos Frades está em curso um investimento de cerca de sete milhões de euros, enquanto Caxarias terá uma expansão superior a nove hectares. Nas acessibilidades, foi destacada a ligação do IC9 à A1, bem como o objetivo de garantir a cobertura integral do concelho por fibra ótica. No turismo, a estratégia passa por complementar a centralidade de Fátima, diversificar a oferta e aumentar o tempo de permanência dos visitantes. Entre os projetos referidos estão a requalificação da Avenida Papa Paulo VI, num investimento próximo dos cinco milhões de euros, a valorização dos percursos pedonais de acesso a Fátima e o desenvolvimento do turismo cultural, judaico, desportivo e de eventos. O Presidente destacou ainda a evolução positiva dos indicadores económicos entre 2020 e 2024. O concelho ultrapassou as 6600 empresas e os 21 mil trabalhadores empregados, enquanto o desemprego se situa abaixo dos 2%. Em 2024, as empresas de Ourém atingiram um volume de negócios global de cerca de 2 mil milhões de euros.
A reunião prosseguiu com a apresentação “Ourém: visão e posicionamento estratégico”, conduzida por Paulo Mesquita, que apresentou uma análise dos principais ativos, desafios e oportunidades do território. Turismo, floresta, indústria e demografia foram identificados como quatro eixos de intervenção económica, num contexto em que a capacidade de atrair investimento, empresas, população e talento assume particular importância. Entre os principais desafios, Paulo Mesquita destacou a escassez de mão de obra qualificada, a necessidade de aumentar a escala e capacidade das empresas e a falta de habitação, considerando esta última particularmente relevante para a atração de população em idade ativa. O consultor salientou também as condições existentes em Ourém para desenvolver um ecossistema empresarial mais competitivo, tirando partido das empresas e competências já presentes no território e reforçando a articulação entre investimento, talento, qualificação e oferta de espaços empresariais.
Seguiu-se um período de debate dedicado aos desafios e oportunidades para Ourém, durante o qual os membros do Conselho e as entidades convidadas tiveram oportunidade de apresentar contributos e diferentes perspetivas sobre o desenvolvimento económico e turístico do território.