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XXI Encontro de Empresários ACISO

19 Março, 2026

A ACISO – Associação Empresarial Ourém-Fátima promoveu, esta quarta-feria, o XXI Encontro de Empresários, iniciativa que voltou a reunir o tecido empresarial do concelho num momento de reflexão, partilha e projeção estratégica para o futuro.
Subordinado ao tema “Empresários do Centro: o que precisamos para a próxima década?”, o jantar-conferência contou com várias intervenções entre as quais da oradora convidada Ana Mendes Godinho, ex-Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Luís Miguel Albuquerque, Presidente da Câmara Municipal e Pedro Mafra, Presidente da Direção da ACISO.

Pedro Mafra abriu a sessão sublinhando o papel determinante da associação na defesa e valorização dos interesses dos empresários, reforçando a importância de criar condições favoráveis à competitividade, à inovação e à atração de investimento para o território. Destacou ainda a necessidade de uma visão estratégica concertada que permita consolidar o crescimento empresarial e fortalecer a posição de Fátima no contexto nacional.

 

Seguiu-se a intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Miguel Albuquerque, que enalteceu o dinamismo do tecido empresarial oureense e reafirmou o compromisso do Município em continuar a apoiar as empresas, quer através da melhoria das infraestruturas e acessibilidades, quer pela criação de condições que promovam a fixação de investimento e a criação de emprego.
O Presidente da Câmara Municipal de Ourém começou por destacar o impacto devastador da tempestade de 28 de janeiro, recordando um cenário de grande dificuldade sem acessos, energia, comunicações e água, com centenas de quilómetros de estradas intransitáveis e milhares de habitações afetadas. Sublinhou o papel decisivo dos empresários, em particular do setor da construção civil, que responderam de forma imediata ao apelo do Município, contribuindo para a rápida desobstrução de vias e início da recuperação do território. O autarca deixou um agradecimento sentido a todos os que, deixando a sua atividade, ajudaram o concelho a ultrapassar um momento crítico, destacando a resiliência e capacidade de resposta do tecido empresarial.


Apoiado na situação de quase pleno emprego, apontando a falta de mão de obra como um dos principais desafios atuais e numa perspectiva de futuro, Luís Miguel Albuquerque reforçou o compromisso de criar condições para o desenvolvimento económico, destacando o trabalho desenvolvido na expansão e qualificação das várias zonas industriais, com destaque para o projeto de revitalização da
Zona Industrial de Vilar dos Prazeres que se centra na criação de uma nova ligação rodoviária estruturante que ligará diretamente essa ZI ao nó do IC9, garantindo um escoamento logístico rápido e eficiente para as empresas.
No que diz respeito a Fátima, sublinhou a necessidade de diversificar a oferta turística, apostando em áreas como o turismo desportivo, de natureza e de negócios, adiantando a intenção de criar uma nova área estruturante da cidade, que integrará um novo centro de congressos, a escola de hotelaria e uma grande zona verde, reforçando a estratégia de desenvolvimento sustentável e de valorização do território.

 

Ana Mendes Godinho centrou a sua intervenção na ideia-chave de que o futuro exige menos bloqueios, menos desconfiança entre Estado e empresas, numa maior ação conjunta. Partindo da sua experiência governativa, defendeu que os melhores resultados surgem quando há objetivos comuns, confiança e verdadeira articulação entre setor público e setor privado. Nesse sentido, apontou Fátima e a ACISO como exemplos de visão, persistência e cooperação estratégica, recordando o papel que tiveram na afirmação do turismo religioso em Portugal e na sua projeção internacional. A oradora evocou vários momentos do seu percurso ligado ao turismo para sublinhar que a ambição, quando acompanhada de foco e planeamento, produz resultados concretos. Relembrou o trabalho desenvolvido na valorização dos Caminhos de Fátima, o reforço dos Workshops Internacionais de Turismo Religioso e a aposta em mercados estratégicos, como a Coreia do Sul, como exemplos de decisões que ajudaram a consolidar Fátima como destino de referência.


A antiga governante identificou também grandes desafios estruturais da próxima década: Em primeiro lugar, o desafio demográfico, marcado pelo envelhecimento da população, pela baixa natalidade e pela necessidade de preparar o país para uma sociedade com mais pessoas idosas e menos ativos disponíveis. Neste contexto, sublinhou que a imigração é essencial para sustentar a economia, o mercado de trabalho e a Segurança Social, defendendo modelos de integração mais eficazes, parcerias com os países de origem e respostas mais organizadas de recrutamento e qualificação. Outro dos eixos centrais da sua comunicação foi a transição digital e o impacto da inteligência artificial nas empresas e nas organizações. A antiga ministra defendeu que a adoção destas ferramentas já não é opcional, mas alertou para a necessidade de capacitar trabalhadores e empresas, especialmente micro e pequenas empresas, para que consigam tirar verdadeiro partido desta transformação. A par da transição digital, apontou também a transição ambiental e as alterações climáticas como um dos grandes desafios do presente, lembrando a vulnerabilidade dos territórios a fenómenos extremos e a necessidade de reforçar a resiliência coletiva. Defendeu que esta resposta não pode ser deixada apenas às empresas, sobretudo às de menor dimensão, exigindo antes mecanismos coordenados de prevenção, planeamento, apoio e resposta rápida e, nesse contexto, deixou também uma palavra de solidariedade a todos os que foram afetados pelas intempéries recentes.

Num outro plano, Ana Mendes Godinho falou da transformação das expectativas das pessoas em relação ao trabalho que, na sua opinião, atualmente mais do que salário, procuram bem-estar, sentido de pertença, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, flexibilidade e propósito. Defendeu por isso relações laborais mais modernas, capazes de responder às novas gerações, mas também aos trabalhadores mais velhos, propondo medidas como o reforço da ligação entre estudantes e empresas, a reforma a tempo parcial e a valorização da transmissão de conhecimento entre gerações.


 

Quase a terminar a sua intervenção, Ana Mendes Godinho deixou um apelo claro à construção de pactos. Pactos setoriais, institucionais e territoriais que permitam ultrapassar a polarização, a inércia e o excesso de burocracia, respondendo com pragmatismo aos problemas concretos do país. Considerou que Portugal precisa urgentemente de uma cultura de compromisso, execução e confiança, e apontou Fátima como um território especialmente bem colocado para ser palco de novas respostas, novas ideias e até de “encontros de paz”, capazes de afirmar consensos, reforçar a coesão e colocar o país em primeiro lugar. Para além de empresários, representantes institucionais e diversas entidades locais e regionais, a sessão contou também com a presença dos vereadores Rui Vital, Filipe Baptista, Purificação Reis, Humberto Antunes e Daniel Ribeiro.

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