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Discurso de Luís Albuquerque na tomada de posse

Publicamos na íntegra o discurso do presidente da Câmara hoje empossado, Luís Miguel Marques Grossinho Coutinho de Albuquerque.

Caríssimos conterrâneos, grande família oureense,
Minhas amigas e meus amigos

Estamos aqui hoje porque este é o primeiro dia do nosso compromisso. O dia em que iniciamos uma nova jornada, dentro dessa sempre inacabada viagem que é a História de Ourém.

Trata-se de uma jornada para a qual nos preparámos e que vamos percorrer em conjunto.

Por isso, faz todo o sentido que no primeiro dia estejamos todos aqui, para partirmos em simultâneo e dizermos uns aos outros que ninguém ficará para trás e que em cada obstáculo ou dificuldade poderemos contar uns com os outros.

Mas antes do primeiro passo, deixem-me aproveitar este momento solene para agradecer ao povo de Ourém o belíssimo exemplo de democracia participada e madura que nos deu nas últimas eleições.

Democracia é isto. Uma sociedade madura e pacífica expressa a sua vontade política de forma livre e transparente, com um sentido construtivo, com um sentido de futuro.

A dimensão da confiança que em nós depositaram os oureenses é igual ao tamanho da esperança que saberemos concretizar.

Na Câmara, na Assembleia Municipal e nas Juntas de Freguesia estaremos sempre conscientes da expetativas da nossa comunidade e cuidaremos da causa pública com o rigor e a competência que todos esperam e pelas quais votaram.

Mas a democracia não se realiza apenas com os que ganham as eleições. Por isso, expresso aqui a mais sincera saudação a todos quantos se apresentaram como candidatos ao ato eleitoral por todas as forças políticas.

Sem candidaturas alternativas, sem debate pré-eleitoral, sem disputa na campanha, a democracia seria meramente formal.

Por isso, digo Obrigado a todos os que concorreram e a quantos se envolveram na organização das eleições, com generosidade e sentido cívico.

E quero deixar claro nesta hora que a nossa investidura não é uma afirmação de vitória eleitoral, é essencialmente um compromisso de responsabilidade e uma aposta na construção de um governo municipal que seja eficaz e possa realizar o que mais importa a todos.

Portanto, para esta jornada de quatro anos, ninguém parte derrotado, ninguém fica à margem do nosso projeto, todos contam e todos são necessários.

Estamos aqui, felizes e firmes, porque o dever de servir os Oureenses é um apelo que nos faz mais fortes e ambiciosos, pois sabemos que muitos outros antes de nós aqui estiveram com a mesma vontade e a mesma atitude.

As torres do Castelo de Ourém foram erguidas e reconstruídas inúmeras vezes ao longo dos séculos. Por aqui passou gente de muita estirpe, diversa proveniência e com motivações contraditórias.

A todos e a tudo este povo resistiu, tudo integrou na História da terra, de que somos o resultado e os fiéis depositários.

Quero agradecer e deixar uma homenagem a todos quantos serviram Ourém, no passado longínquo ou no passado recente.
Todos deram o seu melhor, e a todos, sem exceção, temos que estar gratos pelo que fizeram pelo nosso concelho.

Se queremos saber orientar-nos no futuro, temos de ter esta visão realista de nós próprios – somos apenas o estafeta a quem a História passou o testemunho.

Mas receber um testemunho com quase mil anos é a máxima honra para um filho desta terra, honra essa que aceito e tudo farei para merecer, vencendo os desafios e superando os obstáculos que se colocarem no nosso percurso, travando e vencendo as batalhas que houver que disputar por Ourém e pelos oureenses.

Cabe-nos levar tão longe quanto possível a bandeira do sonho, convocando todos os filhos desta terra antiga e generosa para um projeto de rejuvenescimento, desenvolvimento económico e proteção dos mais frágeis.

Ourém está no centro geográfico de Portugal e nós queremos que ganhe também um lugar central político e na economia portuguesa.

No campo político queremos distinguir-nos pelas soluções de transparência e facilidade de acesso das populações aos serviços municipais.

Vamos tomar muito a sério a digitalização dos processos e dos serviços, avançando para soluções que eliminem dificuldades e constrangimentos na relação entre os munícipes e o município.

No campo económico iremos privilegiar a finalização dos instrumentos de planeamento, concluindo a revisão do PDM, e instaurando princípios de certeza onde agora predomina a dúvida e a confusão.

Nessa linha, a requalificação, modernização e ampliação das zonas industriais constituirá o primeiro passo no âmbito de uma enormíssima e muito difícil batalha pela captação de investimentos e instalação de empresas.

Sempre afirmámos e queremos hoje aqui repetir que é nossa convicção que só com mais empregos teremos mais habitantes e esse é um dos princípios fundamentais do nosso projeto.

De que serve um território sem gente?
Que riqueza maior pode haver numa terra além das pessoas que a habitam e nela realizam a sua felicidade?
De que servirá uma História extensa e rica se não houver filhos que continuem a contá-la aos descendentes?

Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para transformar Ourém numa terra conhecida e desejada pelos empreendedores, um local onde as empresas se sintam compreendidas e apoiadas.
Mas vamos também ser exigentes e rigorosos, porque Ourém é uma terra nobre, uma terra que sabe o que vale e não queremos correr riscos de haver mal-entendidos ou equívocos quanto ao que realmente interessa à nossa terra.

O concelho de Ourém foi bafejado por esse extraordinário fenómeno de fé chamado Fátima. É a nossa terra, é a nossa gente, somos nós os anfitriões das maiores multidões de crentes que Portugal acolhe e o Mundo inteiro reconhece.

Fátima é uma joia do Mundo, uma preciosidade que ultrapassa os limites da geografia e o perímetro dos pequenos interesses.

Fátima dá ao nosso concelho uma dimensão universal e atribui aos oureenses uma responsabilidade mundial.

Pessoas de todos os continentes e de todas as etnias olham para Fátima como um local sagrado, uma luz de esperança no meio das vicissitudes da vida, uma terra onde se quer ir para rezar e sentir o perfume da fé.

O município saberá estabelecer com o Santuário uma relação de cooperação institucional e de estima solidária, para que, dentro das atribuições de cada instituição, se realize o superior interesse da nossa terra.

Mas o concelho é vasto e tem muitas freguesias, que conhecemos muito bem, porque regularmente as visitámos ao longo dos últimos anos e, de novo, a todas, nos meses mais recentes.

Constituirá prioridade do município promover melhorias de infraestruturas em todas as freguesias que delas necessitem, propiciando condições de desenvolvimento humano equilibrado em todo o concelho.

A fixação das populações nas suas terras é uma determinante das nossas decisões, porque não queremos um concelho que seja um arquipélago de pequenos desertos ligados por boas estradas.

Queremos que as vias de comunicação melhoradas sejam mais um argumento para os oureenses viverem onde escolherem fixar-se, sem por isso pagarem um preço injusto.

O município vai incentivar de todas as formas legais e práticas a decisão das famílias que entendam aumentar o número de filhos, criando-os e educando-os no concelho, transmitindo-lhes o amor e o carinho pela terra dos seus pais e avós.

A atenção às pessoas será um fator relevante na decisão política municipal e para isso estaremos atentos à palavra e ao conselho das juntas de freguesia e dos deputados municipais.

Há um território, há um povo e há uma História. Cabe-nos a responsabilidade de combinar estas três realidades com um projeto de futuro.

Nos próximos quatro anos teremos sempre presente que a essência do bom governo é a utilidade social das decisões tomadas e a sustentabilidade das soluções encontradas.

Aqui, como em qualquer outro lugar do Mundo, há obrigações urgentes e projetos importantes.

O desafio é transformar os projetos importantes em obrigações urgentes e não deixarmos que as urgências se imponham como programa político.

O segredo talvez esteja no planeamento atempado e racional e na execução criteriosa e tecnicamente bem suportada.

É nesta linha de raciocínio que vos quero deixar já uma nota de determinação deste Executivo em evitar que Ourém viva no próximo verão algo semelhante ao que outros concelhos viveram este ano.

Apesar de todos sermos conscientes de que a vida tem riscos e de que nem todos os riscos podem ser prevenidos, vamos tomar providências no sentido de nos prepararmos para os incêndios florestais.

Este ano, a tragédia visitou diversos concelhos de Portugal e inúmeras famílias portuguesas estão de luto e choram pelo que perderam. Para todos vão os nossos pensamentos e a nossa solidariedade, desejando-lhes o alívio que merecem.

E para os bombeiros do nosso concelho fica uma sentida homenagem pela generosidade e bravura de que deram provas, correndo o País em socorro dos que sofriam o ataque das chamas e dando o seu melhor esforço para repor a normalidade e defender as vidas humanas.

Cuidar dos nossos é um dos desígnios deste Executivo e todos os oureenses poderão contar com os recursos municipais quando as situações vividas exijam que o poder público local atue em conformidade com a gravidade das ocorrências.

As nossas tarefas serão muitas, diversas e todos os dias desafiarão as nossas capacidades e a nossa determinação.

Com humildade vos digo que no leme deste barco tentarei sempre ser prudente para evitar perdas escusadas e, quando necessário, saberei ser arrojado para conquistar os ganhos que todos desejam.

A minha ambição como Presidente de Câmara será sempre do tamanho da esperança que vir nos vossos olhos.

A minha determinação em cumprir os deveres da função funda-se neste compromisso com o povo que me elegeu e nesta certeza de que o tempo futuro é o melhor juiz do que somos e valemos.

Parto com muita fé e parto com muita força. Parto bem acompanhado para esta jornada como presidente da câmara municipal de Ourém.

Sei que farei um caminho povoado de sonhos e incertezas, mas é um caminho que nos leva na direção certa e nos fará chegar a uma sítio melhor para os nossos filhos e para aqueles que virão depois dos nossos filhos.

O nosso caminho chama-se vida e o nosso destino chama-se futuro.

Quero-vos a todos nesta viagem. Muito obrigado.

Viva o Concelho de Ourém.
Vivam todos os oureenses.

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